"O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo." ( Friedrich Nietzsche )

sábado, 29 de setembro de 2007

Totem


Metamorfoseado a partir do original feito por
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Ruben Rada, que participa com sua marcante percussão nos álbuns

La fusión de rock, jazz y candombe da como resultado un inquietante estilo que algunos parangonan con el de Santana, aunque el parecido estaría solo en el hecho de que ambas bandas recurren a ritmos afroamericanos. Sin embargo en algunos temas no puede negarse una cierta aproximación. Los músicos provienen de diferentes corrientes, pero la mayoría han tenido su escuela en el jazz. Editan el primer álbum en el 71. En sus letras pueden describir las características del pueblo uruguayo ("Dedos") o expresar la "protesta" ("Biafra"). En estos temas Rada se destaca como un excelente cantante. El segundo disco, del 72, conserva estas características, pero presenta una discreta pero mayor inclinación al jazz y recurren a pasajes instrumentales más prolongados. Estos dos discos están editados en un solo CD. En 1973 editan otro álbum sin Legarde ni Rada. Tótem III, a pesar de las bajas es un excelente álbum con un presente aunque menor aporte de los ritmos de candombe, más inmerso en el contexto de la fusión jazz rock conservando una impresionante fuerza y riqueza melódica. Se encuentra reeditado en la colección "30 años de Música Uruguaya". Es recomendable como toda la obra de esta excelente banda.”


Totem (1971)
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1 Dedos 04:30
2 Chévere 02:34
3 De Este Cielo Santo 02:40
4 Días De Esos 03:56
5 Todos 03:07
6 Biafra 04:24
7 El Tábano 04:37
8 Mañana 03:32
9 No Me Molestes 03:32
10 La Lluvia Cae Para Todos Igual 03:11

Rubén Rada: voz e percussão.
Enrique Rey: guitarra, voz
Eduardo Uzeta: guitarra, voz
Daniel Lagarde: Contrabaixo
Roberto Galleti: Bateria


Descarga (1972)
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11 Heloísa 04:13
12 Orejas 04:05
13 Manos 03:23
14 Pacífico 03:01
15 Todo Mal 05:09
16 Negro 05:10
17 Mi Alcoba 04:42
18 Un Sueño Para Gonzalo (instrumental) *
19 Descarga 04:08

Download
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* infelizmente, não consegui a faixa 18...se alguma boa alma puder
ajudar a encontrar...
FAIXA ENCONTRADA - BAJAR UN SUEÑO PARA GONZALO

La Lluvia Cae Para Todos Igual
(E. Rey)

Cuando se pone todo gris
del cielo comienza a caer
una llovizna de oro azul
La gente comienza a correr

Llueve para todos igual
El pobre se mojó
pero el rico también
Para unos es la bendición
para otros es un día cruel

Los campos viven de ese pan
cansados ya de tanta sed
Y yo me siento muy feliz
se limpia el mundo un poco más


Fusão de informações encontradas em:


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sexta-feira, 28 de setembro de 2007

O Trem

"Nada há mais triste do que o grito de um trem no silêncio noturno.
É a queixa de um estranho animal perdido, único sobrevivente de alguma espécie extinta, e que corre, corre, desesperado, noite em fora, como que para escapar à sua orfandade e solidão de monstro ".

Nova Antologia Poética, 1966,
por Mário Quintana
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Em homenagem às nossas deliciosas conversas, discípulo de Baco...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Mutantes - Uma Homenagem à Trois

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Agradecimentos ao querido amigo Marcelo Ahriel,
pela colaboração...

1 Vida de cachorro (Sergio Dias - Arnaldo Baptista - Rita Lee) Pato Fu 03:42
2 Não vá se perder por aí (Roberto Lafayete Loyola - Raphael Thadeu V. da Silva)
Gilberto e Jorge Mautner 04:30
3 Quem tem medo de brincar de amor (Arnaldo Baptista - Rita Lee) Kid Abelha 03:33
4 Beijo exagerado (Sergio Dias - Arnaldo Baptista - Rita Lee) Barão Vermelho 03:51
5 Ave, Lúcifer (Élcio Decário - Arnaldo Baptista - Rita Lee) Lulu Santos 02:49
6 El justiciero (Sergio Dias - Arnaldo Baptista - Rita Lee) Ney Matogrosso 04:05
7 Cantos de mambo (Élcio Decário - Arnaldo Baptista - Rita Lee) Tiburon Caribe 02:37
8 Top top (Liminha - Sergio Dias - Rita Lee) Planet Hemp 02:47
9 Dia 36 (Sergio Dias - Johnny Dandurand - Arnaldo Baptista - Rita Lee) Arnaldo Antunes 03:41
10 Desculpe baby (Arnaldo Baptista - Rita Lee) Daúde e Toni Garrido 03:29
11 Panis et circenses (Caetano Veloso - Gilberto Gil) Celso Fonseca e Paulinho Moska 03:39
12 Ando meio desligado (Sergio Dias - Arnaldo Baptista - Rita Lee) Edgard Scandurra e Taciana 05:21
13 2001 (Tom Zé - Rita Lee) Andre Abujamra, Lucia Turnbull e Tom Zé 03:54
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quarta-feira, 26 de setembro de 2007

João Simões Lopes Neto – Antologia narrada por Paulo César Pereio

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Post feito especialmente para o generoso e gostoso de conversa amigo Michel. Na narrativa, um talento pelo qual tenho paixão: Paulo César Peréio
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“João Simões Lopes neto (1865-1916) imprimiu notável força de comunicação a literatura do Rio Grande do Sul. Aqui encontram-se alguns de seus pontos altos: a prodigiosa síntese do tipo gaúcho em Trezentas onças, a inflexão trágica em O boi velho, o resgate do material lendário que se dá em O negrinho pastoreiro e Mboitatá. Já Os casos do Romualdo, cujo principal ingrediente é uma generosa dose de bom humor, convidam a ingressar no território do inusitado, do maravilhoso.
As narrativas simonianas traçam um panorama regional, mas estão acima do puro regionalismo entre aspas. Sua marca inconfundível é a originalidade da linguagem às vezes colhida diretamente na fonte oral, outras vezes beirando a magia da representação simbólica”

Flávio Loureiro Chaves

Lendas do Sul
01 O negrinho do pastoreio
02 Mboitatá

Contos Gauchescos
03 O mate do João Cardoso
04 Trezentas onças
05 Boi velho

Casos do Romualdo
06 Algumas miudezas
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Paulo César Pereio, Ruth Escobar e Célia Helena, na peça "O Balcão"

Paulo César de Campos Velho, mais conhecido como Paulo César Pereio (Alegrete, Rio Grande do Sul, 19 de outubro de 1940) é um dos maiores atores brasileiros ainda vivos.
Seu filme de estréia foi Os Fuzis, de 1964, dirigido por Ruy Guerra. Atuou em quase cem filmes, marcando presença em correntes artísticas como o Cinema Novo, Cinema Marginal e Pornochanchada. Imprimia a seus personagens traços de sua personalidade: a irreverência, a corrosiva ironia, a anarquia e o deboche.
É considerado um dos melhores narradores do país, e uma das vozes preferidas dos publicitários brasileiros. Ironicamente, em seu filme de estréia, o diretor Ruy Guerra chamou Cecil Thiré para dublá-lo.

Adaptação a partir da
Wikipedia, clique para ver sua filmografia


terça-feira, 25 de setembro de 2007

Canção do Bêbado

Na lama e na noite triste
Aquele bêbado ri!
Tu’alma velha onde existe?
Quem se recorda de ti?

Por onde andam teus gemidos,
Os teus noctâmbulos ais?
Entre os bêbados perdidos
Quem sabe do teu -- jamais?

Por que é que ficas à lua
Contemplativo, a vagar?
Onde a tua noiva nua
Foi tão depressa a enterrar?

Que flores de graça doente
Tua fronte vem florir
Que ficas amargamente
Bêbado, bêbado a rir?

Que vês tu nessas jornadas?
Onde está o teu jardim
E o teu palácio de fadas,
Meu sonâmbulo arlequim?

De onde trazes essa bruma,
Toda essa névoa glacial
De flor de lânguida espuma,
Regada de óleo mortal?

Que soluço extravagante,
Que negro, soturno fel
Põe no teu ser doudejante
A confusão da Babel?

Ah! das lágrimas insanas
Que ao vinho misturas bem,
Que de visões sobre-humanas
Tu'alma e teus olhos tem!

Boca abismada de vinho,
Olhos de pranto a correr,
Bendito seja o carinho
Que já te faça morrer!

Sim! Bendita a cova estreita
Mais larga que o mundo vão,
Que possa conter direita
A noite do teu caixão!

Cruz e Sousa

Conheça mais sobre esse extraordinário poeta clicando aqui.

domingo, 23 de setembro de 2007

Oswaldo Montenegro – Trilhas

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Atendendo ao pedido do Valerius.

Encontrei o link original deste álbum solto.
Mesmo tendo renovado a hospedagem,
não sei a quem devo creditar.

Neide


Trilhas - 1977

1. Quantas vitórias (Oswaldo Montenegro) 04:51
2. Tá certo (Oswaldo Montenegro) 03:12
3 . Quem Diria (Oswaldo Montenegro) 01:44
4. Dance (Oswaldo Montenegro) 03:29
5. Paço do Rosário (Oswaldo Montenegro - poema incluso de Raimundo Costa) 04:55
6. Maria, a louca (Oswaldo Montenegro) 03:11
7. Monsieur Manel (Oswaldo Montenegro/Mongol) 01:57
8. Abre Alas (Oswaldo Montenegro) 02:14
9. João sem nome (Oswaldo Montenegro/Mongol) 02:43
10. Metade (Oswaldo Montenegro) 02:48
11. Casa Assombrada (Oswaldo Montenegro) 03:46
12. Cantiga do cego (Oswaldo Montenegro/Mongol) 05:35
13. Canção da Rameira (Oswaldo Montenegro/Mongol) 02:14
14. Quem diria II (Oswaldo Montenegro) 00:46

Download
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Sobre a História...

"Não tem História coisa nenhuma. Desde os Evangelhos (que, em princípio, nem são considerados História), baseados em fatos irreais, de tradição oral e, portanto, totalmente deturpados, até os fatos narrados pelos grandes historiadores do passado, como Heródoto ("O pai da História") e Tucídides ("A tia da História"), nada há em que acreditar. Os dois últimos narram também coisas fantasiosas, de ouvir dizer, passando pela região em que os fatos aconteceram, quando passavam, cem anos depois. Para o estudo da história moderna há excesso de dados. Impossível sabê-la."
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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Nick Cave III – The Bad Seeds


Comentários: Leonardo Vinhas


O primeiro álbum com a nova formação sai em 1988, e é chamado de "Tender Prey". O disco é considerado, por muitos de seus fãs, o grande clássico dos Bad Seeds, onde uma ainda inédita suavidade melódica se alia perfeitamente ao blues cru e torto dos lançamentos anteriores. Sobram grandes canções: o hit “Deanna”, “Watching Alice”, “City of Refuge”, “Up Jumped The Devil”, além do grande clássico “The Mercy Seat”, com sua letra brilhante, narrando os últimos momentos de um condenado em primeira pessoa, como se o próprio estivesse ali, contando tudo ao seu lado.

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Tender Prey (1988).


Formação: Nick Cave (voz, órgão, gaita e piano), Mick Harvey (baixo, guitarras, xilofone e percussão), Blixa Bargeld (guitarras), Thomas Wydler (bateria), Roland Wolf (piano e órgão), Kid Congo Powers (guitarra).

“Disco perfeito. Aprendidas todas as lições de composição dos álbuns anteriores, Cave e os Bad Seeds fazem seu primeiro disco de banda, com participação de todos (principalmente de Harvey), erigindo uma identidade sólida e atingindo um padrão insuperável de qualidade, igualado apenas por eles mesmos. Os backing vocals fortes, os vocais de Cave desdobrando-se do menestrel canastrão ao narrador passional, a riqueza instrumental, a diversidade de idéias - ingredientes de uma concepção musical sem par (e olha que o Crime And The City Solution, banda liderada por Harvey, bem que tentou copiar). The Mercy Seat, que narra as impressões de um condenado à espera da morte numa densidade de assustar góticos lúgubres, tornou-se a obra-prima deles, secundada por outros clássicos como Deanna (favorita dos brasileiros, um r&b rapidinho com letra assassina inspirada em I Don't Want Your Money, de John Lee Hooker), City Of Refuge (blues-rock repetitivo e pesado sobre paranóia urbana), Slowly Goes The Night (balada de piano bar semi-jazzística, com piano cafajeste e vocais cafonas, linda!) e Watching Alice (depressão traduzida em música). New Morning passou a fechar todos os shows da banda, talvez para que os concertos terminem com a idéia que existe a esperança mesmo entre a mais desconcertante desgraça, e é outro geande momento. Aliás, o disco todo é. “

1 Mercy Seat (7:17)
2 Up Jumped the Devil (5:16)
3 Deanna (3:45)
4 Watching Alice (4:01)
5 Mercy (6:23)
6 City of Refuge (4:48)
7 Slowly Goes the Night (5:23)
8 Sunday's Slave (3:40)
9 Sugar Sugar Sugar (5:01)
10 New Morning (3:47)



1988


Em “Tender Pray”, Cave demonstrou pela primeira vez sua fascinação pelo Brasil: o disco é dedicado ao ator Fernando Ramos da Silva (erroneamente grafado como “Ferdinand”), que faz o papel principal do filme Pixote, de Hector Babenco. Fernando havia sido morto pela polícia de São Paulo no ano anterior e o filme é um dos favoritos de Cave. Nesse mesmo ano é publicado um livro de Cave, chamado "King Ink" (cuja capa é esta ao lado), nome de uma faixa do The Birthday Party.
A bem sucedida turnê de “Tender Pray” veio ao Brasil, em 1989. O motivo foi, provavelmente, a fascinação de Cave pelo país: desde que havia assistido Pixote, o líder dos Bad Seeds desejava vir ao país. Durante sua estada no país, conheceu a brasileira Viviane Carneiro, por quem se apaixonou profundamente. Os dois se casaram, o que ocasionou mais uma mudança na vida de Nick Cave: depois de morar em Melbourne, Londres, Los Angeles e Berlim, o artista veio morar em São Paulo. Ainda nesse ano, participou de um tributo a Neil Young chamado "The Bridge", onde regravou a música "Helpless".


No ano seguinte, os Bad Seeds lançaram o disco "The Good Son", gravado nos estúdios Cardan, em São Paulo, e mixado em Berlin. O disco apresenta uma mudança radical no estilo de Nick Cave: ao invés da ira e da “escuridão” dos trabalhos anteriores do artista, nesse o que se sobressai são as belas melodias no piano, pontuadas por violinos, em canções melancólicas e, de certa forma, bem mais convencionais do que as de “Tender Pray”. Como de costume, grandes canções são mostradas no trabalho: “The Weeping Song”, “Lucy” e a faixa-título são ótimos exemplos. Apesar de ser um belíssimo disco, não foi bem recebido pelos fãs mais xiitas, que estranharam muito esse novo rumo que Cave tomava.

1989, em tarde de autógrafos do seu livro “And the Ass Saw the Angel”


The Good Son (1990)

Formação: Nick Cave (voz, órgão, gaita e piano), Mick Harvey (baixo, guitarras, vibrafone e percussão), Blixa Bargeld (guitarras), Thomas Wydler (bateria e percussão), , Kid Congo Powers (guitarra).

“Após uma bem-sucedida turnê brasileira em 1989, o artista ficou tão fascinado pelo Brasil (ele que já tinha grande interesse pelo país graças ao filme Pixote, de Hector Babenco) que resolveu gravar o álbum inteiro aqui (e casar com uma brasileira que conheceu durante a tour também deve ter pesado na decisão, claro). Gravado no estúdio Cardan, em São Paulo, e mixado por Flood (U2, Depeche Mode) em Berlim, The Good Son é o primeiro disco a se concentrar no lado "baladeiro" de Cave. Repleto de referências bíblicas, as faixas são plácidas, suaves, algumas até melodramáticas. A única exceção à "leveza" é a faixa título, que combina um refrão choroso com um riff grave e pesado, balizado por vocais de inspiração gospel (cantados pelos próprios Bad Seeds). Inclui ainda a transformação de um hino evangélico em refrão (Foi Na Cruz, cantado em bom português). Isoladamente, tem excelentes faixas; no conjunto, parece faltar algo - que mais futuramente se descobriria o que era: uma consistência maior em um formato (canções lentas entre esperança e melancolia) no qual a banda superaria seu ídolo Leonard Cohen.”

1 Foi Na Cruz (5:39)
2 Good Son (6:01)
3 Sorrow's Child (4:36)
4 Weeping Song (4:21)
5 Ship Song (5:14)
6 Hammer Song (4:16)
7 Lament (4:51)
8 Witness Song (5:57)
9 Lucy (4:17)

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Em 1992, os Bad Seeds voltam a Europa, e sai o sétimo disco da banda, "Henry’s Dream", disco muito diferente de seu antecessor, graças a sua sonoridade mais pesada e rock, lembrando um pouco “Tender Prey”. O disco possui várias excelentes canções, como "Papa Won’t Leave You" e "Straight To You". Mais uma vez o line-up da banda sofre mudanças: o Bad Seeds agora era formado por Nick Cave, Blixa Bargel, Mick Harvey, Thomas Wydler, Martin P. Casey e Conway Savage. A turnê desse trabalho resultou em um disco ao vivo, lançado no ano seguinte com o nome de "Live Seeds". Esse disco foi lançado juntamente com uma edição especial que acompanhava um livreto de fotos tiradas por Peter Milne da turnê de 92/93, em comemoração aos 10 anos da banda.

Henry’s Dream (1992)


Formação: Nick Cave (voz e órgão), Mick Harvey (guitarra base, órgão e vibrafone), Blixa Bargeld (guitarra solo), Thomas Wydler (bateria), Martyn P. Casey (baixo), Conway Savage (piano).

Ciente que até os fãs se assustaram com o álbum anterior (alguns estrangeiros - alemães, principalmente - culparam a "má influência" do Brasil na suavização melódica e lírica), Cave retoma a fúria roqueira de The First Born Is Dead sem violentar tanto os ouvidos. O resultado é excepcional: as quatro primeiras faixas estão entre as melhores produções do combo. A abertura se dá às trovoadas de violão, guitarra e órgão (Papa Won't Leave You, Henry), seguindo-se uma canção furiosa (I Had A Dream, Joe), quase punk, distorcendo a tradição vocal dos spirituals no refrão (o canto das igrejas evangélicas negras dos EUA). Na seqüência, a faixa mais pop de sua carreira, Straight To You, uma balada dilacerante que poderia ser associada ao britpop (Morrissey, notadamente), não fosse a letra de amor incondicional à beira do Apocalipse ("E as carruagens de anjos estão colidindo / E os santos estão todos bêbados e uivando para lua / E a angústia vem à galope / Mas eu gritarei, amor, e virei correndo / Direto para você"). Fechando o bloco, Brother, My Cup Is Empty saracoteia guitarras acústicas numa canção sobre um bêbado de saco cheio com sua esposa, sua cidade e até com o garçom que o serve. Encerram o álbum outras três fortes canções repletas de álcool, desespero e assassinato, precedidas pela delicadeza de When I First Came To Town (com curioso dueto entre Cave e o pianista Conway Savage) e pela funesta Chrstina The Astonishing, que contém o verso "o fedor do pecado humano vai além do que consigo suportar".
Nota: a partir desse disco, a formação se estabilizaria com os músicos acima listados, recebendo outros a partir de 1996, mas sem ninguém abandonando o barco.

1 Papa Won't Leave You, Henry (5:54)
2 I Had a Dream, Joe (3:42)
3 Straight to You (4:35)
4 Brother, My Cup Is Empty (3:02)
5 Christina the Astonishing (4:50)
6 When I First Came to Town (5:21)
7 John Finn's Wife (5:13)
8 Loom of the Land (5:07)
9 Jack the Ripper (3:45)

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Em 1993, a banda contribui para a trilha sonora do novo filme de Wim Wenders, "Faraway, So Close" ("Tão Longe, Tão Perto" no Brasil), continuação de "Wings of Desire". As faixas são “Faraway, So Close!” e “Cassiel’s Song”.
Em 1994, sai “Let Love In”, sétimo disco de estúdio dos Bad Seeds. Esse é um dos grandes momentos da carreira deles, utilizando uma linguagem mais pop e, finalmente, deixando de ser um privilégio exclusivo de europeus e australianos (e brasileiros, de certa maneira). Nick Cave acabava de se divorciar de Viviane, e esse descontentamento com o amor e com a pessoa amada é uma das principais facetas do álbum, claramente visível em faixas como “Ain’t Gonna Rain Anymore” e “I Let Love In”. Mas a faixa mais conhecida do álbum é a satânica “Red Right Hand”, onde Cave descreve com todos os detalhes possíveis ninguém menos do que o Coisa-Ruim, chegando a dar até calafrios em quem ouve a música. Outras faixas de destaque são a obsessiva “Do You Love Me (Part 1)”, a pesada “Loverman” (que, recentemente, foi gravada pelo Metallica) e a deliciosa balada kitsch “Nobody’s Baby Now”, descendente direta de “The Good Son”.




Let Love In (1994)


Formação: Nick Cave (voz e órgão), Mick Harvey (guitarra, órgão e vibrafone), Blixa Bargeld (guitarra), Thomas Wydler (bateria e percussão), Martyn P. Casey (baixo), Conway Savage (piano).

“Se o problema era tesão, isso vem de sobra nesse belíssimo disco, marcado pelo desespero e desencantamento com o amor em si (Nick estava se separando de sua esposa, e alguns Bad Seeds também não estavam exatamente felizes). É o mais rico musicalmente na discografia da banda e só apresenta uma faixa mediana: Do You Love Me? (Part 2) - até porque a (Part 1), cujo clipe foi gravado num puteiro classe Z em São Paulo, é uma aterrorizante "chamada na chincha" para com a pessoa amada, com sinos e backing vocals ameaçadores. Thirsty Dog e Jangling Jock são rockões barulhentos, rápidos e furiosos. Loverman, gravada pelo Metallica no disco Garage Days Re-Revisited, é cínica, macabra e mistura o temor e o fascínio pelo cramulhão ao desejo por uma mulher. O tinhoso reaparece como O Corruptor em Red Right Hand, um micro-tratado sobre o demo (de deixar teólogo de queixo caído) em forma de canção pop, tanto que é o maior hit dos Bad Seeds em terras americanas, constando na trilha do primeiro Pânico e no disco “Songs In The Key Of X "dedicado" à série Arquivo X. Ainda tem uma balada pop com discreta incursão bluesy (Nobody's Baby Now) e uma hilária predição da própria morte em Lay Me Low.”
Curiosidade: um monte de convidados figuram nesse disco (membros dos Triffids e Beasts of Bourbon, o ex-Birthday Party Rowland S. Howard, os violinistas Robin Casinader e Warren Ellis), mas estão quase indedectáveis.

1 Do You Love Me? (5:56)
2 Nobody's Baby Now (3:52)
3 Loverman (6:21)
4 Jangling Jack (2:47)
5 Red Right Hand (6:10)
6 I Let Love In (4:14)
7 Thirsty Dog (3:48)
8 Ain't Gonna Rain Anymore (3:46)
9 Lay Me Low (5:08)
10 Do You Love Me?, Pt. 2 (6:12)

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Em 1995, Nick Cave grava uma música para a trilha sonora do filme "Batman Forever" (a música chama-se "There Is A Light"), e participa do Festival Lolapalloza, fazendo uma longa turnê pelos EUA, consolidando a popularidade de “Let Love In” no rico mercado americano.
No ano seguinte Cave volta a Londres para gravar e lançar o disco "Murder Ballads". É um álbum conceitual sobre morte e assassinato, que tem como destaques as músicas "Where The Wild Roses Grow" e "Henry Lee".



As cantoras Kyle Minogue e PJ Harvey participam respectivamente destas duas canções, e o álbum acaba fazendo um grande sucesso, também junto ao público que não conhecia Nick Cave e o Bad Seeds antes.
Os dois duetos são os maiores sucessos de Nick Cave tanto na Europa quanto na Austrália. Nesse disco, dois novos integrantes aparecem na banda: Warren Ellis (ex-The Dirty Tree, violinista) e Jim Sclavunos (ex-No Wave, percussão).


Murder Ballads (1996)

Formação: Nick Cave (voz e órgão), Mick Harvey (guitarra, percussão e órgão), Blixa Bargeld (guitarra), Thomas Wydler (bateria), Martyn P. Casey (baixo), Conway Savage (piano), Jim Sclavunos (percussão).

“O título revela tudo sobre as letras, todas narrativas sobre assassinatos mais ou menos passionais, mas não denota o lado musical. Nem tudo aqui é balada - tem um "quase-country" fantasmagórico e chato (Crow Jane), névoas harmônicas em tons muito graves (Song of Joy), minimalismo pesado e pervertido (Stagger Lee) e até tentativas frustradas (ainda que passáveis) de revisitar Tender Prey: Lovely Creature e O'Malley's Bar. Das baladas proprimanete ditas, foram extraídos dois hits maciços na Austrália que também se tornaram populares na Europa: os duetos Henry Lee (com PJ Harvey, na época esposa recém-casada com Cave) e Where The Wild Roses Grow (com Kylie Minogue, sobre uma garota inocente assassinada por um namorado perturbado que enlouquece com sua castidade). Os simples e ótimos clips dessas canções favoreceram bastante seu sucesso, talvez por exibirem belas mulheres (as cantoras que participam das faixas - até PJ está linda) em histórias envolventes e surpreendentes. As duas moças se juntam ao bebum Shane McGowan (ex-The Pogues) e à poetisa Anita Lane para dividir com Nick os vocais da irônica Death Is Not The End, que encerra o álbum legando uma sensação bizarra ao ouvinte, que não consegue decidir se gostou, se achou meio depressivo ou se ficou assustado. E isso porque nem falamos da suíte de choros The Kindness of Strangers... Lúgubre.”

1 Song of Joy (6:46)
2 Stagger Lee (5:14)
3 Henry Lee (3:56)
4 Lovely Creature (4:12)
5 Where the Wild Roses Grow (3:56)
6 Curse of Millhaven (6:54)
7 Kindness of Strangers (4:37)
8 Crow Jane (4:13)
9 O'Malley's Bar (14:28)
10 Death Is Not the End (4:27)

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Nesse mesmo ano, uma faixa de "Let Love In", "Red Right Hand" é incluída no CD da trilha sonora do seriado americano "The X Files". Detalhe: essa música foi a única do CD realmente utilizada no programa. Ela acaba se tornando uma das músicas mais conhecidas de Nick, principalmente nos Estados Unidos, tanto que foi incluída na trilha sonora de vários filmes americanos, incluindo Pânico 1 e 2, Debi Loide, O Mentiroso, entre outros.



Ainda em 1996, o Bad Seeds participa da trilha sonora de mais um filme, "To Have and To Hold" de John Hillcoat. É lançado um novo livro de Cave, chamado de "King Ink II", outra coleção de letras e poesias. Para terminar o ano, Cave é indicado ao prêmio de "Melhor Artista Masculino" da MTV, mas não aparece a premiação, pois não considera este um verdadeiro prêmio artístico.
O sucessor de “Muder Ballads”, “The Boatman’s Call”, foi lançado no ano seguinte, 1997. É um grande trabalho, sem sombra de dúvidas, mas causa até um certo estranhamento a quem conhecia o resto do trabalho de Cave, por ser um disco sem par na carreira do artista. A diferença é visível em suas melodias suaves e às vezes até doces, tocadas ao piano por um Cave estranhamente contido e calmo. É, de certa forma, mais simples, melancólico e liricamente suave do que o antecessor. Há um boato de que ele foi gravado logo após o suposto relacionamento de Cave e PJ Harvey acabar, o que explicaria de certa forma a forte carga romântica do disco.
Uma análise superficial pode mostrar que o disco é uma antítese de “Let Love In”, pois Nick Cave se rebaixa ao amante submisso a uma amante etérea, divina e infalível durante várias passagens do disco, como na sublime “Into My Arms” e em “Idiot Prayer”. Mas, ainda assim, outros momentos acabam colocando em dúvida esse tipo de afirmação, como a triste e amarga “People Ain’t No Good”, faixa em que Cave descreve todo seu descontentamento com as pessoas e com o amor, muitas vezes com versos sarcásticos e venenosos.


The Boatman’s Call (1997)

Formação: Nick Cave (voz, órgão e piano), Mick Harvey (guitarra e órgão), Blixa Bargeld (guitarra), Thomas Wydler (bateria), Martyn P. Casey (baixo), Conway Savage (piano), Jim Sclavunos (percussão), Warren Ellis (violino e acordeão).

“Outro relacionamento encerrado (com PJ dessa vez), outro grande disco como exercício de terapia e exorcismo interno. Porém, se em Let Love In o desespero dava o tom, aqui a esperança é fundamental, e o endeusamento da mulher, superior a Deus e o Diabo ("Nenhum Deus no mais alto dos Céus / Nem demônio algum sob o mar / Poderia fazer o tento que você fez / De me colocar de joelhos", canta Cave em Brompton Oratory) chega a ponto de menosprezar o ser masculino (em Idiot Prayer). Musicalmente, o álbum é composto por canções conduzidas ao piano (às vezes, com o baixo preciso de Casey acompanhando com maestria), recebendo intervenções discretas e certeiras dos outros instrumentos, que sutilmente fazem a canção acontecer e revelar-se de rara beleza. Assim acontece a guitarra em Brompton Oratory, com o violino em Far From Me e com o órgão em (Are You) The One That I've Been Waiting For? e Lime Tree Arbour. Wydler surpreende por saber quando não inventar na bateria e prova que nem todo bom baterista precisa ser uma máquina de viradas (coisa que ele também faz bem). Completamente composto por Cave (letra e música), esse discão se define a partir da faixa inicial, Into My Arms, que ganhou o clipe mais angustiante da história (apenas closes p&b em faces aos prantos). A letra? Fé e amor sendo distinguidos para logo ser provado que eles são todos parte de um único todo, deixando a esperança de reconciliação. Ouça e tente ficar alheio - mesmo que não entenda a letra, o baixo, o piano e a voz de Nick se encarregarão de deixá-lo sem palavras.”

1 Into My Arms (4:15)
2 Lime Tree Arbour (2:56)
3 People Ain't No Good (5:42)
4 Brompton Oratory (4:06)
5 There Is a Kingdom (4:52)
6 (Are You) The One That I've Been Waiting For? (4:05)
7 Where Do We Go Now but Nowhere? (5:46)
8 West Country Girl (2:45)
9 Black Hair (4:14)
10 Idiot Prayer (4:21)
11 Far From Me (5:33)
12 Green Eyes (3:32)

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Em 1998, é lançada a coletânea "The Best of Nick Cave e Bad Seeds", contendo todos os singles da carreira da banda, excluindo os de Kicking Against The Pricks. A primeira prensagem deste álbum contém um disco bônus com uma apresentação da banda no Royal Albert Hall, em 1997, um dos melhores registros ao vivo oficiais de Nick Cave. Tanto essa prensagem quanto o disco simples já estão fora de catálogo, o que é uma pena, pelo fato dessa coletânea ser bem abrangente e mostrar as várias facetas da carreira de Cave, fazendo com os que não estão familiarizados com a obra da banda conheça um pouco do universo das sementes malignas.
Após hiato de quatro anos, Nick Cave voltou à ativa com seu décimo primeiro álbum de estúdio, “No More Shall We Part”, em 2001. Além do time que já fazia parte dos Bad Seeds desde Henry’s Dream e suas adições posteriores, o line-up da banda recebia mais dois reforços de peso: as excelentes vocalistas de apoio Kate e Anna McCarrigle passaram a fazer parte da banda, fazendo um contraponto feminino aos vocais graves e sombrios de Cave. Uma curiosidade: Kate é mãe de Rufus Wainwright, talentoso cantor, compositor e pianista canadense, que vem recebendo grande atenção da mídia desde o lançamento de seu segundo disco, Poses.
“No More Shall We Part” é um dos discos mais religiosos de Cave, onde o nome de Deus é citado, questionado, criticado e louvado em grande parte das faixas. Esse lado mais religioso é mostrado até no título; o “não devemos nos separar” não é direcionado a nenhum ser terreno, mas sim a Deus, como é dito na faixa título. Além desse lado religioso, o disco apresenta também algumas letras cortantes sobre as misérias humanas, como a perfeita “Hallelujah”, além do onipresente amor, como em “Love Letter”. Os arranjos privilegiam o piano tocando melodias ora tensas, ora suaves e delicadas, além do violino sempre envolvente de Warren Ellis.

No More Shall We Part (2001)


Formação: Nick Cave (voz, piano e órgão), Mick Harvey (guitarra, percussão e órgão), Blixa Bargeld (guitarra), Thomas Wydler (bateria), Martyn P. Casey (baixo), Conway Savage (piano), Jim Sclavunos (percussão), Anna McGarringle (vocais), Kate McGarringle (vocais).

“Nas letras, Cave está mais religioso que nunca, e na música, os Bad Seeds estão 100% Bad Seeds, ou seja, bateria fazendo harmonia, piano fazendo percussão, violino descendo às saraivadas guitarras econômicos numa força bruta que parece ser contida para não pesar mais que os poderosos vocais (de Cave e das irmãs Anna e Kate McGarringle, essa última mãe do ícone pop-gay Rufus Wainright). Da delicadeza quase pop de Love Letter (que letra!) à surpreendente Fifteen Feet Of Pure White Snow ("Levante suas mãos ao mais alto dos céus / É de se duvidar? / Oh, meu Deus!", brada um Cave irado em meio ao caos de uma cidade soterrada pela neve), uma obra que atesta a singularidade e excelência da proposta musical da banda. Se acabassem hoje, não teriam deixado nenhum fã com a sensação de que ainda haveria algo a se cumprir.”

1 As I Sat Sadly by Her Side (6:15)
2 And No More Shall We Part (4:00)
3 Hallelujah (7:48)
4 Love Letter (4:08)
5 Fifteen Feet of Pure White Snow (5:36)
6 God Is in the House (5:44)
7 Oh My Lord (7:30)
8 Sweetheart Come (4:58)
9 Sorrowful Wife (5:18)
10 We Came Along This Road (6:08)
11 Gates to the Garden (4:09)
12 Darker With the Day (6:07)


O disco teve uma excelente repercussão, sendo considerado por muitos o melhor trabalho de Nick Cave e dos Bad Seeds desde o clássico “Tender Pray”, um reconhecimento para lá de merecido. Mas “No More Shall We Part” acaba não fazendo tanto sucesso quanto “Murder Ballads” ou “Let Love In”, até por ser bem menos acessível - apesar de contar com dois singles excelentes, “As I Sat Sadly By Her Side” e “Fifteen Feet Of Pure White Snow”.
Após mais de 15 anos de estrada, os Bad Seeds pararam para descansar, enquanto o “chefe” participou sozinho da trilha sonora do filme I am Sam (“Uma Lição de Amor”, aqui no Brasil, estrelado por Sean Penn e Michelle Pfeiffer, que ainda conta com faixas de Grandaddy, Eddie Vedder, Ben Folds, entre outros), cantando ao piano duas canções dos Beatles: “Here Comes The Sun” e “Let It Be”. Em 2002, se juntaram de novo para gravar mais um álbum.

No início de 2003, é lançado “Nocturama”, que mostra, no mesmo registro, canções tristes levadas ao piano, no estilo de “The Boatman’s Call”, com rockões furiosos que lembram muito o início de sua carreira. O disco vem acompanhado de boas críticas e uma excelente recepção do público, mas infelizmente trouxe uma péssima notícia. Ele foi a despedida de Blixa Bargeld, o único Bad Seed além de Mick Harvey presente desde a primeira formação. O guitarrista deixou a banda um pouco antes do lançamento do disco, após quase 20 anos ao lado de Nick Cave.


Nocturama (2003)


Formação: Nick Cave (voz, piano e órgão), Mick Harvey (guitarra, baixo, percussão e órgão), Blixa Bargeld (guitarra), Thomas Wydler (bateria e percussão), Martyn P. Casey (baixo), Jim Sclavunos (percussão), Warren Ellis (violino).

“Já na faixa que abre Nocturama, seu décimo terceiro álbum, o bardo australiano Nick Cave tenta nos arrancar uma confissão: "Come on, admit it, babe, It’s a wonderful life". Nos dias complicados que vivemos é meio difícil acreditar, mas a boa música é sempre um caminho a seguir. E é com boa música que Cave nos presenteia. Da balada inspirada que abre (Wonderful Life) até a incendiária faixa que encerra (Babe, I'm On Fire), Nocturama transpira rock and roll. E religião. E poesia. "Hide your eyes, hide your tears / Hide your face, my love / Hide your ribbons, hide your bows / Hide your coloured cotton gloves / Hide your trinkets, hide your treasures / Hide your neatly scissored locks / Hide your memories, hide them all / Stuff them in a cardboard box / Or throw them into the street below / Leave them to the wind and the rain and the snow / For you might think I’m crazy / But I’m still in love with you", canta o bardo na apropriada Still In Love. É uma outro disco de baladas, cuja melodia é assassinada apenas na barulheira da birthdaypartyana Dead Man In My Bed e da longa última faixa, Babe, I'm On Fire. Nocturama foi gravado apenas em uma semana e já circulava nas importadoras em uma versão especial trazendo de bônus um DVD e, a demora na edição nacional do álbum se deve a uma mudança de gravadora. Após anos trabalhando com a gravadora Mute (representada no Brasil pela Sum), Cave lançou Nocturama pelo pequeno selo Anti, por isso o motivo da demora no lançamento nacional.”

1 Wonderful Life (6:49)
2 He Wants You (3:30)
3 Right out of Your Hand (5:15)
4 Bring It On (5:22)
5 Dead Man in My Bed (4:40)
6 Still in Love (4:44)
7 There Is a Town (4:58)
8 Rock of Gibraltar (3:00)
9 She Passed by My Window (3:20)
10 Babe, I'm on Fire (14:45)

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domingo, 16 de setembro de 2007

Cartola – Documento Eldorado

.Meus agradecimentos ao Marcelo, que contribuiu com o álbum.

01. Que Sejam Benvindos 03:54
02. Autonomia 03:02
03. Acontece 03:39
04. Senões 03:55
05. O Inverno do Meu Tempo 04:43
06. Que Sejas Bem Feliz 02:33
07. De-me Graças, Senhora 04:52
08. Quem Me Vê Sorrindo 03:44
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“Esse lp contém um depoimento de Cartola e mais oito obras-primas que ele mesmo canta, acompanhando-se ao violão.
É a reprodução de um programa com o fundador da Mangueira na Rádio Eldorado de São Paulo, pouco antes de sua morte.
Foi a última vez que Cartola entrou num estúdio de gravação. Ele estava feliz com um novo disco, mas já era visível o abatimento provocado pela doença que o mataria meses depois.
Quis poupá-lo de uma conversa demasiadamente inquiridora e cansativa. Pedi que ele próprio escolhesse as músicas e as comentasse rapidamente, durante a gravação. Tudo transcorreu como um encontro de boteco. Conversa, violão e conhaque. Mas Cartola falou mais do que a encomenda e, graças a isso, podemos agora apresentar este documento inédito. O que Angenor de Oliveira diz nessa conversa musicada já é mais ou menos sabido pelos estudiosos da nossa canção popular, porém acho importante que também seja conhecido pelo ouvido comum. Até brinquei com ele no papo: “Vou te fazer uma pergunta originalíssima, de onde vem esse apelido de Cartola?”
É que todo repórter jovem, ao entrevistá-lo , começava desse jeito. Essa e outras respostas entretanto, perderam-se em publicações efêmeras de jornal. Agora, registradas por ele mesmo em disco, soam como um registro importante, levam ao grande público alguns traços básicos de biografia. São informações prestadas pela fonte mais confiável, o próprio biografado. Só quando fala na idade de suas músicas, Cartola não é muito exato. O samba “Quem me vê sorrindo” nasceu antes de 1940 e neste depoimento, prestado em fins de 1979, ele calculou ‘vinte ou trina anos’.
Este disco é um auto-retrato falado, onde aparecem, dissimuladas, rugas que marcam sua vida. Cartola não era uma pessoa queixosa, ressentida, como tantas que habitam o território da arte.
Aqui fala sem amargura das vicissitudes que o obrigaram a vender direitos a intérpretes famosos (Chico Alves, por exemplo).
Do tardio aparecimento em disco próprio. Da paciência com que enfrentou a obscuridade até quase o final da existência.
E, entre outras revelações, afirma sua curiosa preferência pelo samba canção. Participei do lançamento do lp de estréia do Cartola, na ‘Discos Marcus Pereira’. Eu era diretor artístico da gravadora e o produtor João Carlos Bozelli (Pelão) procurou-me num bar, certa noite de 1974, para sugerir o trabalho. Fiquei empolgado. Bozelli, com o seu exagero peninsular, implorou dramaticamente a produção imediata do disco. Respondi, lembrando a renúncia de Jânio Quadros, que estávamos bebendo e não era aquele um momento adequado para uma decisão histórica. Adiei a resposta para o dia seguinte, quando falei com Marcus e, juntos, decidimos lançar aquele famoso primeiro lp.
Agora, estou escrevendo esta nota de apresentação para o último lp, um disco sem divisão de faixas, arranjos orquestrais, convenções. Um disco original, simples e bom como o velho Cartola.” (Do encarte)

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Angústia

Angústia, por Davi Alfaro Siqueiros, MASP

"Estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender.
Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem,
mas não quero ficar com o que vivi.
Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda.
Não confio no que me aconteceu.
Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não saber como viver,
vivi uma outra?
A isso quereria chamar desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar:
para a organização anterior.
A isso prefiro chamar desorganização pois não quero me confirmar
no que vivi - na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha,
e sei que não tenho capacidade para outro".

Paixão Segundo G.H., por Clarice Lispector

domingo, 9 de setembro de 2007

Ney Matogrosso – 2 compactos

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No curto período em que permaneceu na gravadora Continental, Raimundo Fagner chegou a gravar um compacto simples com Ney Matogrosso com duas músicas inéditas: Postal de Amor (Fagner/Fausto Nilo/Ricardo Bezerra) e Ponta do Lápis (Rodger Rogério/Clodo).
O compacto saiu em novembro de 1975 (No. 101.101.176) também produzido por Carlos Alberto Sion.
Em 1975 o caminho de Ney Matogrosso estava atrelado ao de Raimundo Fagner. E o melhor exemplo foi a magnífica apresentação da dupla em Belo Horizonte para a divulgação do compacto lançado pela Continental. A gravadora aproveitou a oportunidade e distribuiu para a imprensa um release sobre ''O Canto Épico Latino-Americano de Fagner e Ney Matogrosso'':
''Apesar de nunca ter ocupado lugar de destaque nas paradas de sucesso, a moderna música popular do Continente, trouxe felizes influências aos pesquisadores musicais e cantores do Brasil. A aparição de Astor Piazzola e sua sofisticação portenha, foi um fenômeno significativo e de forma alguma isolada das fontes de criação que se fertilizaram nos últimos tempos em muitos países vizinhos ao nosso. Violeta Parra, Intillimani, Quilapayun, Mercedes Sosa, Daniel Viglieti, Victo Jara, fazem parte da galeria desses heróis tão desconhecidos e, que cantaram as dores e paixões de muitos latino-americanos.
Ney Matogrosso partiu para a Itália há algum tempo para interpretar algumas das mais belas canções feitas por Piazzola de parceria com o jovem poeta brasileiro Geraldinho Carneiro. O resultado da experiência foi um rufar de ritmos conhecidos mas um pouco distantes do nosso dia-a-dia musical, enquanto a voz de Ney em As Ilhas soltava um grito sangrado de solidão. Também foi esse um dos tons do primeiro elepê solo de Ney.
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01. As Ilhas 04:24
02. 1964 (II) 03:30
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“Logo após deixar o Secos & Molhados, em 1974, Ney Matogrosso marcha para a Itália para gravar esse compacto bastante singular. Com composições e arranjos de Astor Piazzolla, o disco ainda conta com o próprio no bandolion. Um disco essencialmente de tango "a la Piazzolla", este compacto veio encartado como bônus no primeiro LP solo de Ney, apesar da nítida diferença entre os estilos.”
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EP 7´, acompanha o LP homônimo 1974
Arranjos e direção - Astor Piazzolla
Gravado no estudio MONDIAL SOUNDA (Milão - Itália)
data: 22 e 23 de novembro de 1974

Também não foi à toa que Fagner em seu elepê 'AVE NOTURNA' deslizava pelas águas do São Francisco até declarar que tenho '25 anos de sonho e de sangue/ e de América do Sul', enfatizando alguns boleros que encontravam densidade com os arranjos meio-pops onde despontava a guitarra de Lulu dos santos do conjunto Vímana. Encontrando essas fontes e descobrindo agora o caminho juntos, Fagner e Ney matogrosso realizaram o compacto que tem Postal de Amor e Ponta do Lápis, onde a voz rasgada de Fagner se ajusta ao canto cristalino de Ney Matogrosso para interpretar canções que lembram o ar épico já exprimido também na literatura produzida nos últimos dez anos em nosso continente. Se outras tentativas já foram feitas nesse sentido, Fagner e Ney somam-se a essas tentativas reafirmando uma música que definitivamente começa a tomar conta da inspiração de alguns de nossos melhores músicos. Se a lembrança estava esquecida, eles sedimentaram agora um trabalho cujo componente nessa direção abre as fronteiras musicais e exprime algumas formas de pensar e sentir que significam a vivência, mágica ou não, dos transeuntes de latino-Americano. E entre os passantes misturam-se Ney matogrosso e Fagner, inaugurando a ruazinha principal, fazendo do passeio um encontro mais malandro, mais maroto, com os couros, talismãs, deboche, riso e solidão que se encontram em qualquer cidadezinha perdida do alto dos Andes ou do interior do Brasil.
Carregando os pesados fardos conferidos aos 'compositores jovens', expressão criada sabe lá por qual meio de comunicação (não faz diferença), Fagner e Ney Matogrosso na sua 'jovialidade musical' têm experiências que passam pela explosão dos Secos & Molhados, numa estada significativa em Paris, o convívio com os grupos de rock de São Paulo (Ney) ou participando das diabruras de jovens poetas e músicos no campo do Caxinguelê, no bairro do Horto no Rio, onde Fagner soa a camisa nas peladinhas. Esse passado recente já deu aos dois a compreensão das surpresas reservadas aos 'jovens' no mundo da música e, a expressão de Fagner em uma entrevista à revista 'Veja' de que a 'música brasileira está numa véspera, num quase' é resultado dessas andanças, dessas surpresas. Os dois estão fazendo música popular brasileira, e isso é o que importa para eles, cantando em português ou em castelhano, como na faixa Ponta do Lápis.
Arriaram mais uma vez a bagagem, estão de novo, respirando um novo ar, sentindo o gosto de outras poeiras de tantas que já ressecaram seus lábios. O novo trabalho está aí, começam a tirar notas, gemidos e ritmos das malas e sacolas, alguns transeuntes param, perguntam e começam a gostar. Outros não, seguem o 'ritmo normal das ruas'. Já se sentam, sorriem um sorriso cansado que se rejuvenesce à medida que a música começa a ser a voz mais embolante dessa esquina. Estão lá, a esquina é visível e está numa das principais encruzilhadas da cidade. 'Jovens'? Hum...''


01.Postal de Amor (Fagner/Fausto Nilo/Ricardo Bezerra) * 04:09
02.Ponta do Lápis (Rodger Rogério/Clodo) 03:28
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Jorge Omar (Violão 12 cordas)
Paulo Guimarães (flauta)
Jorge Luis de Carvalho (baixo)
Elber Beboque (bateria)
Paulo Chacal (percussão)
Roberto de Carvalho (piano, arpstring,violão 12 cordas)
Claudio Guimarães (guitarra)

Estúdio:Level (Rio de Janeiro)
dias 17, 18 e 19 de outubro de 1975

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Baixado do Vinil Velho

sábado, 8 de setembro de 2007

Ñande Reko Arandu – Memoria Viva Guarani

Meus agradecimentos ao Godot, pela colaboração com este álbum...
Há algum tempo, postei uma compilação de músicas xamânicas que possuía uma ou duas faixas deste disco...Agora está na íntegra.
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01. Nhanerãmoi'i Karai Poty
02. Gwyrá Mi
03. Mãduvi'ju'i
04. Xekyvy'i
05. Nhanderuvixa Tenondei
06. Nhamandu
07. Mamo Tetã Guireju
08. Oreru Orembo'e Katu
09. Oreyvy Peraa Va'ekue
10. Xondaro'i
11. Pave Jajerojy
12. Nhamandu Miri
13. Ka'aguy Nhanderu Ojapo Va'ekue
14. Oreru Nhamandú Tupã
15. Xondaro


“As músicas são cantadas por grupos de crianças de quatro aldeias Guarani: Sapucai, na cidade de Angra dos Reis; Rio Silveira, em São Sebastião; Morro da Saudade, na cidade de São Paulo e Jaexaá Porã, em Ubatuba. As gravações foram realizadas na aldeia Jaexaá Porã.
Todas as músicas têm por tema a espiritualidade. Os índios Guarani contam que as crianças são puras e seu Deus, Nosso Pai Nhanderu, envia esses cantos diretamente a elas.”


sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Jimi Hendrix – Private Reels Volumes I e II

Para meu querido amigo Gerald, com quem compartilho não só arquivos de áudio, mas também arquivos de vida...

1. Country Blues (improvisation) 10:31
2. Country Blues (part two) 18:49
3. Roomful of Mirrors - Highway of Desire 14:55
4. Astro Man - Valley of Neptune 03:40
5. Power of Soul Money (That's What I Want) - TaJimi Boogie 08:37

Recorded at Jimi’s apartment at 59 West, 12th Street,
Greenwich Village, NY 21/01/1970
Jimi Hendrix (vocals&guitar)
Taj Mahal (on guitar)

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01. Introduction of the band by B.B.King 06:58
02. Like a Rolling Stone 08:15
03. San-Ho-Zay (Jam Part I) 11:50
04. San-Ho-Zay (Jam Part II) 07:37
05. Instrumental Jam with Roy Buchanan 04:50
06. Instrumental Jam (05:20)
07. Hey Baby (The Land of New Rising Sun) 14:45
08. Villanova Junction Blues 10:50

Tracks 1-5 Recorded live at Generation Club, NY, on April 17th and on
April7th (track 5) 1968
Tracks 6-8 Recorded at the Electric Lady Studios, NY, on June 15th 1970


The band at Generation Club is:

B.B.King (vocals&guitar)
Elvin Bishop (guitar)
Paul Butterfield (guitar)
Al Kooper (organ, piano)
Buzzy Feiten (bass)
Don Martin (horn)
Phillip Wilson (drums)
Jimi Hendrix (vocals&guitars&bass on track 5)

The band at Electric Lady Studios is:

Jimi Hendrix(guitars)
Chris Wood (sax)
Steve Winwood (piano&drums)
Billy Cox (bass)

Baixado do ótimo blog Moassab