"O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo." ( Friedrich Nietzsche )

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Noisuf Artsehcro - Noteleks Ni Ruomra

“Formed in the early seventies F. O. were an unfortunately short-lived progressive jazz/rock outfit of immense potential. Joining the exceptionally talented Jill Saward on vocals, keyboards, flute, guitar and synthesizer, were guitarists Stan Land and Colin Dawson, bassist Dave Cowell and drummer Dave Bell. This is one of the finest bands to have ever come out of the UK, and their sole album release is an absolute masterpiece of sophisticated compositions with stunning female vocals and superb musicianship. When the band split, the members would fade into obscurity, with only Seward surfacing a number of years later as a backing singer in UK pop/jazz outfit Shakatak. She went on the become a fully fledged member of the band, playing keyboards and flute and, of course, singing, much the same as she did when she was a member of F. O..” (Retirado do encarte)

Excelente mistura de Fusion, Jazz, Prog Rock, acompanhados do impressionante vocal de Jill Sward, além de belíssimas
passagens com flautas...
Baixe na certeza de que vai apreciar um grande trabalho.


F.O. - S. in A. (1973)

01-Fanfairy Suite for 1000 Trampits
(Part One) 00:16
02-Sonata In Z 11:49
03-Have I Left the Gas On_08:41
04-Ok Boys, Now's Our Big Chance 00:47
05-Skeleton in Armour 05:12
06-When My Mamma's not at Home 03:27
07-Don't be Silly, Jilly 00:08
08-Talk to the Man in the Sky 11:54
09-Fanfairy Suite for 1000 Trampits (Part Two) 00:15

Dave Bell - drums
Dave Cowell - bass, harmonica
Colin Dawson - guitar
Sten Land - guitar, synthesizer, percussion, horns
Jill Saward - guitar, synth, flute, vocals

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

MC5 - Are You Ready To Testify (The Live Bootleg Anthology) 3 CD Boxset @ 256



Live at Sturgis Armory, 1968

01-- Ramblin Rose
02-- Kick Out The Jams
03-- Come Together
04-- Revolutionary Blues
05-- Rama Lama Fa Fa Fa
06-- James Brown Medley
07-- Upper Egypt (Pharaoh Sanders Cover)
08-- Tutti Frutti
09-- Borderline
10-- Born Under A Bad Sign

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Live at the Saginaw Civic Center, MI 1970

01-- Ramblin Rose
02-- Human Being Lawnmover
03-- Tonight
04-- Rama Lama Fa Fa Fa
05-- It´s A Mans World
06-- Teenage Lust
07-- Looking At You
08-- Fire Of Love
09-- Shakin Street
10-- Starship
11-- Kick Out The Jams
12-- Black To Comm

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Live at First Unitarian Church, Detroit, MI 1968

01-- I Want You Right Now
02-- Starship
03-- I Believe To My Soul
04-- Black To Comm

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The MC5 are one of the most influential and underrated bands of the late 1960's. They only released three albums before they imploded in the early 1970's. This is a great re-release of some previously released bootlegs. The sound quality isn't the greatest, but these are bootleg recording from over 30 years ago. That does not take away from the passion that the band plays with, nor there skills as musicians. This is an excellent release for anyone interested in a band that has been an influence hard rock, heavy metal, and punk rock.


Los MC5 son una de las más influyentes y subestimadas de las bandas de finales de 1960's. Ellos sólo lanzaron tres álbumes antes de su implosión principios del año 1970. Esta es una gran reedición de algunos bootlegs anteriormente. La calidad del sonido no es la más grande, pero estas son contrabando de grabación de más de 30 años atrás. Que no toma fuera de la pasión que juega con la banda, y no habría habilidades como músicos. Esta es una excelente puesta en libertad de cualquier persona interesada en una banda que ha sido una influencia de rock duro, heavy metal, rock y punk.

A Frescura

Ah a frescura na face de não cumprir um dever!
Faltar é positivamente estar no campo!
Que refúgio o não se poder ter confiança em nós!
Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros,
Faltei a todos, com uma deliberação do desleixo,
Fiquei esperando a vontade de ir para lá, que'eu saberia que não vinha.
Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida.
Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação.
E tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora,
Deliberadamente à mesma hora...
Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico.
É tão engraçada esta parte assistente da vida!
Até não consigo acender o cigarro seguinte... Se é um gesto,
Fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida.
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Álvaro de Campos

Alaire - Flamenco

“De uma casta de Arte Mágica, o Flamenco nos chama à exaltação em vozes suspensas no tempo que o ritual do “compás” consagra e de que não saímos ilesos, pois na raiz dessa emoção há uma chama ancestral que buscamos manter viva.
Parece que o vento nos ensina a andar a seu favor...evitando assim o confronto.
Porém é somente andando contra o vento que ele se faz notar, é criando o atrito que a presença surge.
No começo parecia impossível criar um cd de flamenco elaborado e produzido no Brasil e por brasileiros...
Mas quando se decide andar contra o vento, do confronto cria-se o novo.
Alaire nasceu desse confronto, e sua proposta é a mesma do vento: gerar o movimento...”
(Heloísa Galves/Roberto Angerosa)

“Este é um disco de canções flamencas feito por um grupo só de integrantes brasileiros, o Alaire. A guitarra flamenca, o sons de sapateados e as palmas características nos remetem de imediato à Espanha, numa verdadeira viagem ao Velho Mundo”. (Submarino)


“O flamenco é uma cultura riquíssima, originária dos ciganos que vieram da Índia e chegaram ao Sul da Espanha, ali criando raízes e convivendo com árabes, judeus e cristãos espanhóis.
Assim nasceu esta Arte, amálgama de culturas ancestrais.Atualmente, o Flamenco passa por um processo de reatualização de linguagem, com o desenvolvimento de um virtuosismo técnico na dança e de uma variedade musical e rítmica extremamente elaboradas.”




(Retirado de Ana Morena)


Dedicado à ti Miguel, e às nossas belas raízes...

Com carinho,

Neide
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(Clique na capa frontal para ampliar e salvar)

1. Lo Bueno y lo Malo
2. Barbal
3. Domecq
4. En Los Tropicos
5. Li jali
6. De Lunares
7. Por Batuquerias
8. Otros Aires
9. Taconeo
10. Solea
11. Taranta

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Flávio Rodrigues – música/guitarra flamenca/palmas nas faixas - Barbal, Li Jali (além de coro), Por Batuquerias (menos música), Taconeo (menos música); somente cante/palmas em
Lo Bueno y lo Malo e somente palmas na faixa En Los Trópicos
Roberto Angerosa – cajon/djembe/ palmas (na faixa Barbal e também na De Lunares; nesta última, com a adição de bongô e vaso), tinaja/palmas (na faixa Lo Bueno...), cajon (na faixa Domecq), cajon/palmas/congas/timbales/cincerro/vaso (na faixa En Los Trópicos), cajon/derbak/palmas/coro (na faixa Li Jali), cajon/bongô/triângulo (na faixa Otros Aires), música/cajon/vaso/derbak/ berimbau/tamborim/chocalho/claves/tambor de fala/palmas/pandeiro (na faixa Por Batuquerias), cajon/palmas (na faixa Solea), percussão/cajon/derbak/vaso (na faixa Taconeo)
Ana Morena – Sapateado (nas faixas Barbal, Taconeo, Por Batuquerias
Fernando de La Rua – música/guitarra flamenca nas faixas - En Los Trópicos, Li Jali (além de coro e palmas) , De Lunares (além de violão baixo e palmas), Solea (arranjo ao invés da música além de palmas), Taranta (somente arranjo e guitarra flamenca), com Marisol Jardim (somente música na faixa Domecq), Lo Bueno...(arranjo ao invés da música com a adição de violão baixo)
Mário Clóvis Gonçalves – contra baixo (na faixas En Los Trópicos) e piano (na faixa Otros Aires)
Baulé – flauta transversal nas faixas – En Los Trópicos, Lo Bueno..., Solea, Taranta e Li Jali (além de coro)
Yara Castro – castanhola/palmas nas faixas – Domecq, De lunares (somente castanholas)
Vanderléia Gonçalves – vocal em Li Jali
Rodrigo Russo Domingos – música/guitarra flamenca na faixa Otros Aires
Carlos Motta – contra-baixo em Otros Aires
Mário Vargas – cante nas faixas Solea e Taranta
Humberto Lincoln – contra-baixo em Por Batuquerias
Luciano Khalib – cajon em Por Batuquerias
Douglas Nuvem – violoncelo em Taranta
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“Aos mestres flamencos de sempre, Marinho Brazil, Heloísa Galves, Danilo Tiisel e a Associação de Amigos do Caminho de Santiago de Compostela, Maria Elvira Viedma, Agustín Carbonell “Bola”, Hector Bianchi e Juan Manuel Bo do Gitana, Ana Emília Jung, Pepe de Córdoba, Kika, Cristiane, Bernardo, Clarissa e André.”
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Deus


Mesmo para os descrentes há a pergunta duvidosa:
e depois da morte?
Mesmo para os descrentes há o instante de desespero:
que Deus me ajude.
Neste mesmo instante estou pedindo que Deus me ajude.
Estou precisando.
Precisando mais do que a força humana.
E estou precisando da minha própria força.
Sou forte mas também sou destrutiva. Autodestrutiva.
E quem é autodestrutivo também destrói os outros.
Estou ferindo muita gente.
E Deus tem que vir a mim, já que eu não tenho ido a Ele.
Venha, Deus, venha.
Mesmo que eu não mereça, venha.
Ou talvez os que menos merecem precisem mais.
Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer:
nunca feri de propósito.
E também me dói quando percebo que feri.
Mas tantos defeitos tenho.
Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa.
Embora amor dentro de mim eu tenha.
Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas.
Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieta e infeliz,
é porque preciso que Deus venha.
Venha antes que seja tarde demais.

Clarice Lispector

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Mezquita (Rock-ProgRock, Spain)\1981 =Califas Del Rock=

Califas del Rock (1981) fue su segundo y ultimo album... ya el rock andaluz no atraia masas y la movida madrilenya se hacia duenya del mercado musical espanyol.
A que suena: Rock andaluz con una buena base ritmica, composiciones complejas, ritmo energico y ambientes somnolientos y fusion del flamenco con sonoridades arabicas y con el jazz rock. Destacar tambien las voces muy apropiadas para el subgenero que imprimen en cada tema Jose Rafa Garcia y Randy Lopez.
Los temas: Recuerdos De Mi Tierra(7:47); El Bizco De Los Patio(4:21); Desde Que
Somos Dos(5:48); Ara Buza(Dame Un Beso)(4:37); Suicidio(7:24) y Obertura En Si Bemol(6:09)
Para mi el mejor tema es el inicial "Recuerdos de mi tierra" con una entrada instrumental energica y frenetica que da paso a unos teclados de organo y sintetizador flamencos y arabescos acompanyados de la guitarra acustica y efectos sonoros de grillos (muy andaluz este toque). "Desde que somos dos" es otro tema destacable, quizas mas en la linea IMAN.
Influencias: Triana, Iman Califato Independiente, Guadalquivir, Alameda.
Conclusion: Muy buen album de rock andaluz y pasajes serenos y melodicos... Bajo mi opinion Mezquita son menos sinfonicos y mas progresivos que Triana y Alameda
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01 - Cuentos Arabes
02 - Asi Soy Yo
03 - Aguas Del Guadalquivir
04 - La Ultima Juerga
05 - Mente De Mi Subsconsciente
06 - Cara Sin Cruz
07 - Resaca Del Amanecer
08 - La Montana, La Ciudad
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Mestres dos Quadrinhos Eróticos - Pichard VI

O último libertino
por Pedro Soenen

É sabido que, quando se observa um abismo demasiado tempo, ele observa-nos de volta. Porque os abismos não são fendas geológicas naturais, mas fendas psicológicas naturais. O abismo não existe fora de nós, mas em nós. Georges Pichard, autor e ilustrador de banda desenhada, libertino do traço a tinta da China, conviveu toda a sua vida com o seu abismo e convidou-nos a desbravar as suas sombras. Um espírito livre que ficou conhecido pela expressão das mais diversas e perversas formas de aprisionamento (feminino). Pichard é considerado um dos grandes mestres do erotismo gráfico francês, raramente um autor tendo ido tão longe nos labirintos dos seus negros fantasmas. Provavelmente nunca mais haverá outro assim, nestes tempos de hipocrisia sexual globalizada.
Nascido em Paris em 1920, teve o percurso típico de muitos autores de BD da época: trabalhou em publicidade e dedicou-se à ilustração, tornando-se mesmo professor de desenho na escola onde tinha estudado (tendo como alunos alguns autores que se vieram a tornar célebres). Estreou-se na 9ª Arte em 1956, com “Miss Mimi”, mas foi em 1964 que a colaboração com o argumentista Jacques Lob o tornou notado, com as divertidas criações dos heróis “Ténébrax” e “Submerman”, com “Ulisses”- uma versão em ficção científica da Odisseia - e sobretudo com a sua primeira grande heroína, a doce “Blanche Epiphanie”, em 1967.
Viviam-se tempos sulfurosos em França, acabavam de surgir as primeiras revistas de BD viradas para um público mais adulto e pairava no ar uma liberdade criativa nunca antes vista (e nunca mais repetida). A liberdade sexual está na ordem do dia e Blanche, uma pobre orfã primeiro abusada e depois expulsa de casa pelo seu protector, o sinistro banqueiro capitalista Adolphus, irá viver uma série de aventuras tão rocambolescas como picantes. A imagem da Justine de Sade perpassa por ali e estão definidos os grandes parâmetros da obra de Pichard: a heroína de formas generosas, embrenhada em situações escabrosas, abusada e torturada por homens de aparência simiesca e brutal (ou, mais tarde, por outras mulheres, tão belas quanto implacáveis), um sistema de forças sociais marcado pela preponderância dos fantasmas masculinos, a provocação, o anticlericalismo e o humor corrosivo. Desde o início que o seu estilo carnal o torna inconfundível, conferindo às suas personagens uma sensualidade próxima do leitor e bebendo das influências eróticas orientais, nomeadamente indianas.
Em 1970 cria juntamente com Georges Wolinski a sua heroína mais conhecida, “Paulette”. Uma herdeira loura e rica, de vocação proletária e aventurosa – raptada na primeira página da história, ela simpatiza logo com os motivos dos seus captores -, Paulette sofre todo o tipo de peripécias policiais/amorosas/oníricas e torna-se uma espécie de símbolo sexual, ao longo de vários álbuns em que tem a companhia de Joseph, um velho amigo transformado por engano em belíssima jovem pela toupeira míope (!) de Paulette – exemplo da ironia cáustica do autor, ao transformar um velho libidinoso no seu próprio objecto de desejo, o que o deixa de razoável mau humor...
Segue-se a colaboração com Danie Dubos, de que resultam “Lolly Strip” e “Caroline Choléra” em 1976, esta última uma das suas personagens mais conseguidas graças aos argumentos verdadeiramente delirantes de Dubos. O erotismo acentua-se e enegrece, notando-se o deslize ambíguo para o jogo da “mulher-objecto” nas farsas político-sociais “Les Manufacturées” (em que ex-delinquentes são recicladas como bonecas de prazer) e “L’Usine” (onde um grupo de mulheres é escravizado numa fábrica de contornos sinistros). Em 1977, “Marie-Gabrielle de Saint-Eutrope”, com textos e imagens de Pichard, incorre mesmo na censura, graças à violência de certas cenas.
Nos anos seguintes, o autor compraz-se a adaptar à sua maneira clássicos da literatura, como As Feiticeiras de Tessália (a partir das Metamorfoses de Apuleio), Carmen de Mérimée, Germinal de Zola, A Religiosa de Diderot, Don Juan de Apollinaire, A Condessa Vermelha de Sacher-Masoch, e mesmo o Kama-Sutra, de Vasyayana. Em todas estas obras as personagens femininas são cruelmente torturadas e maltratadas, num estilo tão cândido como apaixonado, num exercício de voyeurismo transbordante em que nenhum detalhe dos requintes de - verdadeira - malvadez é descurado.
Entre os anos 80 e os anos 90 destacam-se ainda o 2º volume das 110 Pilules, o trio de pendor mais violentamente anticlerical (ou de maior cínico aproveitamento das luxúrias da fé) Marie-Gabrielle en Orient, Madoline e La Voie du Repentir e a ilustração da obra de Pierre Louys Trois Filles de Leur Mére, onde o sadomasoquismo convive alegremente com a pedofilia, a bestialidade e a coprofilia. Aqui não há lugar para fetichismos específicos, apenas o gozo desbragado do prazer transgressivo, do sexo como queda no abismo. O convite à Sombra por excelência é aquele que emana das nossas pulsões sexuais mais primárias, aquelas que não estão temperadas pela moralidade ou pelos costumes, as que não conhecem o medo, apenas o êxtase.
Georges Pichard morreu aos 83 anos, em 2003, sem ter pedido desculpa.

Fonte: Bedeteca



Carmen
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