"O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo." ( Friedrich Nietzsche )

domingo, 4 de novembro de 2007

Rondellus – Sabbatum, A Medieval Tribute to Black Sabbath

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Em homenagem aos queridos amigos Michel, Miguel, Abaddon e Gerald…
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“Como Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward teriam composto suas músicas se tivessem nascido no século XIV ou XIII? Se quiser tirar essa dúvida, ouça este disco da banda medieval "Rondellus", diretamente da Estônia (!!). Uma pausa para uma pequena explicação: quando disse "banda medieval" não me refiro às (muito vezes competentes!) bandas de heavy metal que possuem influência medieval, e sim a um grupo que toca composições da Idade Média, com instrumentos de época da forma como eram tocados na Antigüidade.
Se você é daqueles fãs de metal que se recusa a ouvir qualquer coisa fora do estilo, esqueça esse CD. Mas se você é, antes de mais nada, amante de boa música e deseja saber com exatidão como eram as composições antigas, vá em frente. Na verdade, muitas bandas de metal apresentam essas influências e existem tantos apreciadores do chamado "epic metal" por aí. Mas, creio eu, que seria interessante saber de onde vem toda essa melodia e por que, tantos séculos depois, ainda existem apreciadores do estilo.
Com certeza qualquer pessoa desavisada nem pensaria em BLACK SABBATH ao ouvir o CD. De fato, o único que se preservou das faixas originais foram as melodias, aqui totalmente modificadas para o estilo medieval, com arranjos de canto gregoriano. As letras foram traduzidas para o latim e foram usados diversos instrumentos medievais como alaúde, salterio, harpa, vielas e gaitas de fole.
Volto a repetir, se você realmente tem curiosidade de saber como soa um grupo medieval, esse CD é uma boa pedida. Confira abaixo o tracklist e não deixe de conferir no site
http://www.sabbatum.com/ a explicação sobre todos os instrumentos utilizados no disco.”
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O texto acima foi retirado de Whiplash e o disco baixado
do blog Agora é Rock!
(através da colaboração do meu sempre presente amigo Miguel, obrigada!)

1-Verres Militares (War Pigs)
2-Oculi Filioli (Junior's Eyes)
3-Funambulus Domesticus (A National Acrobat)
4-Symptoma Mundi (Symptom Of The Universe)
5-Post Murum Somnii (Behind The Wall Of Sleep)
6-Post Aeternitatem (After Forever)
7-Magus (The Wizard)
8-Solitudo (Solitude)
9-Rotae Confusionis (Wheels Of Confusion)
10-Planetarum Vagatio (Planet Caravan)
11-Via Gravis (Hard Road)
12-Architectus Urbis Caelestis (Spiral Arcitect)

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Para acessar a página da banda, clique na imagem


Sôbolos Rios que Vão


Olha, eu talvez seja esse
cadáver desconhecido
que avistam sob uma ponte
com relativo interesse!

nem sei mais se me matei
se morri por distraído
se me atiraram do cais

- o mistério é mais profundo,
muito mais...

Vida, sonho de um segundo
- isso é vulgar mas atroz –
e tenho pena de mim
como a que tenho de vós...

e sigo
todo florido
destes nossos velhos sonhos
imortais

- ó mistério tão sem fim –
eu sigo todo florido,
cadáver desconhecido
vogando, lento, à deriva

nos rios todos do mundo!


Mário Quintana
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sábado, 3 de novembro de 2007

Bo Diddley – London Sessions

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Colaboração do querido amigo Gerald, obrigada!!

“Bo Diddley (nascido em 30 de dezembro de 1928), é um influente cantor, compositor e guitarrista de blues norte-americano. Batizado de Elas Bates, ele mais tarde mudaria seu nome para Ellas McDaniel devido à sua mãe adotiva, Gussie McDaniel. Entretanto ele usa o nome artístico Bo Diddley, provavelmente um jargão dos negros do sul dos Estados Unidos que significa "nada por enquanto". Outra fonte diz que este era seu apelido quando de sua carreira como boxeador.
Ele é mais conhecido pela "batida Bo Diddley", uma batida meio rumba feita usando-se a clave. Esta batida seria usada por vários outros artistas, incluindo Johnny Otis e sua "Willie and the Hand Jive" e Buddy Holly em "Not Fade Away", assim como canções mais obscuras como "Callin' All Cows" dos Blues Rockers.
O ritmo é tão importante na música de Bo Didley que a harmonia é frequentemente reduzida a uma inclusão mínima. Suas canções (por exemplo, "Hey Bo Diddley" e "Who Do You Love?") na maioria não apresentam mudanças de acorde; isto é, elas não foram compostas com claves musicais, e o músico tem de cantar e tocar no mesmo acorde durante todo o tempo”. (Wikipedia)


The London Bo Diddley Sessions (1973).
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01. Don’t want no lyin’ woman
02. Bo Diddley
03. Going Down
04. Make a Hit Record
05. Bo-Jam
06. Husband-In Law
07. Do the Robot
08. Sneakers on a Rooster
09. Get out of my life

Bo Diddley - guitar, vocals
Cookie Vee- vocals
Richard Evans - bass
Clifford Davis - baritone sax
Willie Henderson - baritone sax
Steve Galloway - trombone
Gene Barge - tenor sax
Frank Gordon - trumpet
Murray Watson - trumpet
Arthur Hoyle - trumpet
Phillip Upchurch - guitar
Gerald Sims - guitar
Tennyson Stephens - piano
Derf Rekland Raheem - congas
Robert Crowder - drums, percussion

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Mestres dos Quadrinhos Eróticos – Serpieri VI


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No terceiro episódio da série, “Criatura”, de 1989, Serpieri reforçou a idéia de que a loucura era normal nessa cidade dos horrores, onde nada parecia fazer sentido. O enredo trazia a explicação de que, num mundo artificial, de espaço reduzido e de extrema vigilância, o sonho se tornou um recurso constante para se manter vivo e até se fazer conspiração contra o comando central. O autor criou também novas possibilidades de ação.

Detalhes sobre a história continuaram a ser apresentados, de modo a tornar a trama mais acessível. Mas havia muito ainda para ser revelado. Explicações foram inseridas de modo a dar um pouco mais de coerência ao que se queria contar. Como, por exemplo, a exata dimensão do planeta artificial onde Druuna habitava – a mega espaçonave tinha cerca de 300 quilômetros de extensão -, espaço suficiente para se construir uma grande cidade e fazer com que seus moradores se iludissem com a idéia de infinito.

Ao vagar como um monumental asteróide, o estranho objeto foi localizado por uma aeronave tripulada por humanos de um outro sistema solar mais avançado. Enquanto tentava descobrir do que se tratava o gigantesco monumento, seu comandante, Williamson, começou a receber contatos telepáticos e a ter sonhos de profundo realismo, a ponto de se transportar para um lugar fantástico onde percebeu que um líquen parasitário parecia sugar a vida ao redor de prédios abandonados.

Não demorou para ele se deparar com uma mulher deslumbrante como nunca vira antes em toda a sua vida. Seu nome: Druuna. O astronauta descobriu que, naquele lugar, o arcabouço genético havia excluído fenômenos primitivos de reprodução como gestação e parto. Por causa disso, o subconsciente não podia se lembrar das coisas que não faziam mais parte de sua herança genética. Druuna, então, pediu-lhe socorro para que a ajudasse em sua missão de destruir Delta.
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Williamson aceitou ajudá-la e passou a explorar a cidade. Encontrou uma imensa cratera, viva e pensante, que tentava se integrar com a parte artificial da grande aeronave, como se juntas fossem um só corpo. Era o ponto vital da criatura que dominou Delta. Essa, entretanto, funcionava apenas como parte da verdade que surgia mais uma vez.

Como num rompimento brusco com as aventuras anteriores, Druuna acordou de seus sonhos e encontrou tudo mudado à sua volta. Tinha a impressão de que havia dormido durante séculos. Logo concluiu que a ameaça de antes se transformara num grande monstro que ficava cada vez maior e gerava “anticorpos” – criaturas que atacavam tudo que se mexia, de forma devoradora. Assemelhavam-se a baratas gigantescas.



Capturada por humanos, ela foi usada sexualmente para “atender” aos “direitos viris” dos homens, cujo único propósito seria gerar filhos. Depois de ser drogada, ao invés de resistir, entregou-se ao sexo em grupo como uma ninfomaníaca insaciável.




Em sua busca incansável, Druuna encontrou Shastar. Mais uma vez, ela descobriu que ele não morrera e vivia cego, preso por um dispositivo atado ao seu cérebro. A partir desse momento, tudo passou a ficar mais confuso na aventura de Serpieri.


Começo e fim não existiam mais no mundo druunaniano. Passado, presente e futuro se anularam e todos estavam desprovidos de vida. O tempo parou. Ninguém nascia ou morria, apenas se permanecia vivo. Lewis, então, regenerou o corpo de Shastar como forma de manter sua luta para destruir Delta.

Por fim, veio a grande revelação sobre a misteriosa doença. Como se sabia, o cérebro do gigantesco computador era uma criatura alienígena que se ligara ao planeta artificial e a peste se tornou a primeira manifestação de sua presença. Druuna ficou sabendo que fora mantida viva quando teve seu corpo lançado em sono profundo, projetando sua mente em outra dimensão. Ela notou que não havia saída e todos à sua volta estavam condenados a morrer ali







Nesse episódio, destacou-se uma brincadeira que talvez alguns fãs de Serpieri que nunca tinham visto uma fotografia sua não tenham notado. A figura do médico, cientista e filósofo da pequena nave espacial cujo comandante visitava o sonho de Druuna não era outro senão o próprio autor, num auto-retrato bem realista.


Este, em forma de personagem, ao conhecer a heroína, não se conteve e disse: “Minha querida, se você não existisse, nós teríamos de inventá-la”.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Voodoo Soul - Deep and Dirty New Orleans Funk

Para meus queridos amigos Gerald e Edson D’Aquino…

1 The Meters - Cissy Strut
2 Lee Dorsey - Everything I Do Gonh Be Funky
3 Betty Harris - Ride Your Pony
4 Clemon Smith - Brother Man, Sister Ann
5 The Meters - Here Comes The Metermen
6 Eddie Bo & Inez Cheatham - A Lover & A Friend
7 Skip Easterling - I’m Your Hoochie Coochie Man
8 Lee Dorsey - Occapella
9 Willie West - Fairchild
10 Roger & The Gypsies - Pass The Hatchet
11 The Meters - Ease Back
12 Allen Toussaint - Louie
13 Robert Parker - Get Ta Steppin’
14 Sonny Jones - Sissy Walk
15 Backyard Heavies - Soul Junction
16 Eddie Bo - We’re Doing It (Thang)


Quero escrever o borrão vermelho de sangue...


Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam
pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
o grito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,
não dei.
Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.
Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:
nada tenho mais a perder.
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texto original de Clarice Lispector,
arranjado em versos por Antônio Damázio

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Chico Magnetic Band

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Francês muito comparado a Hendrix, por seu estilo
visceral e psicodélico. Não deixem de baixar!!


CHICO MAGNETIC (1971)

01.Explosion 05:48
02.Pop pull hair 02:43
03.Lot of things 04:40
04.We all come and go 03:11
05.To where I belong 06:16
06.My sorrow 03:07
07.Cross Town Traffic 03:16
08.Pop Orbit 03:45

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segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Mestres dos Quadrinhos Eróticos – Serpieri V

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O segundo episódio de Druuna – Morbus Gravis II, de 1987 – confirmou que havia ainda uma boa história para ser desenvolvida por Serpieri. A aventura recomeçou de uma forma completamente diferente, num outro cenário, que aparentemente nada tinha a ver com a cidade em ruínas da edição anterior. Lewis, em sua forma humana, estava numa praia paradisíaca e deserta, ao lado de Druuna.Os dois vivenciavam uma seqüência bucólica e romântica, mas que logo ganhou momentos de intenso erotismo.




Logo se soube que tudo não passava de um sonho induzido, que permitiu a Lewis – que vivia como uma cabeça submersa numa substância de conservação tipo formol - , levar a linda moça seminua ao planeta Terra, numa época anterior ao holocausto nuclear. “O mundo que perdemos você tem o direito de conhecer”, justificou ele.

De volta à realidade, Druuna precisava encontrar e destruir Delta. Essa seria a única forma de impedir que desaparecessem do universo os últimos resquícios de vida humana. Para isso, ela teria de localizar a Torre do Poder, no centro da cidade, onde fora depositado todo o conhecimento da verdade.
Com alguma ousadia, mas ainda contida, Serpieri introduziu elementos sexuais mais explícitos que misturaram violência – estupro e sadismo – com prazer. Druuna começou a se libertar do estereótipo moralista antes imposto por causa da censura.



Ela chegou até a filosofar sobre prostituição de modo bem provocativo no decorrer da história: “Eu cobro porque os homens gostam de pagar, ficam mais confiantes, mais seguros de si, mesmo que no fundo seja uma ilusão. Quando transo, gosto de ser comprada! É meio que um jogo excitante.” Um de seus parceiros, um brutamontes excitado, respondeu: “Você tem muito a vender, sua cadelinha. Nesses tempos de fome e morte, o fato de você existir desafia a realidade!”



Novas informações foram introduzidas pelo autor que tornaram mais claro, por exemplo, o funcionamento político da cidade onde se passava a trama – um lugar repressivo onde tudo se baseava na hierarquia do Estado. Além dos seres contaminados pela doença, muitas pessoas que não estavam com o mal eram perseguidas por serem anarquistas e subversivos em geral.



Elas jamais teriam liberdade porque, de certa forma, haviam sido infectadas por outros tipos de “doenças”, as ideológicas. “Eu detesto gente da sua laia, pessoas que rejeitam as leis da sociedade”, disse um dos soldados a um combatente preso. Por causa dessa forma de governar, como se fosse uma ditadura, essas pessoas marginalizadas nada podiam fazer a não ser se consolarem com seu destino trágico ou combatê-lo à força.